terça-feira, 17 de agosto de 2010

Teus olhos entristecem

Teus olhos entristecem.


Nem ouves o que digo.

Dormem, sonham, esquecem...

Não me ouves, e prossigo.

Digo o que já, de triste,

Te disse tanta vez...

Creio que nunca o ouviste

De tão tua que és.

Olhas-me de repente

De um distante impreciso

Com um olhar ausente.

Começas um sorriso.

Continuo a falar.

Continuas ouvindo

O que estás a pensar,

Já quase não sorrindo.

Até que neste ocioso

Sumir da tarde fútil,

Se esfolha silencioso

O teu sorriso inútil.


(fernando pessoa)

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